Tuesday, September 19, 2006

Opinião: O cristão e a política.

O post de hoje é um pouco diferente. Quero aproveitar que tantos amigos e parentes estão lendo o nosso blog para registrar algumas opiniões que julgo muito construtivas. Espero conseguir fazer isso com mais freqüência e, claro, espero que você aproveite e leitura!

Apesar de não estar presente tenho acompanhado as eleições nacionais que estão chegando. Em duas semanas nós vamos escolher nosso presidente, governadores, deputados e senadores. Muita gente! Por isso, gostaria de postar aqui um texto que escrevi em 2004, mas que deve ser relembrado de tempos em tempos.

A foto aí em cima foi tirada quando fui para Brasília fazer a entrevista para a bolsa de doutorado na CAPES Ministério da Educação. A bolsa foi aprovada... e aqui estamos nós escrevendo de longe. No próximo post colocaremos mais notícias de Londres.

19/09/2006
Da terra onde não se elege Presidente...
London

_______________________________________

O cristão e a política

Gustavo Assi, outubro/2004 (revisado em setembro/2006)

Gostaria de compartilhar contigo algumas idéias que perturbam minha cabeça nas épocas de eleições em nosso País. Hoje, o cidadão brasileiro tem o famoso direito de voto. Que maravilha! Não se esqueça de que não foi sempre assim. Afinal de contas, nossa República passou por turbulentos anos debaixo da repressão (pra onde ninguém quer voltar). E ainda houve tempos em que não havia República nem democracia! Mas hoje, gostaria de repartir o que entendo ser uma correta posição do cristão brasileiro sobre este assunto.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos que viviam sob o domínio romano, nos ensina sobre o relacionamento com as autoridades políticas (leia Rm 13.1-7 no final do texto). Ele afirma que toda autoridade é instituída por Deus debaixo de seu plano para cada sociedade e, por esta razão, todo filho de Deus deve ser submisso ao seu governo. Também nos mostra que não devemos temê-lo quando agimos bem, mas devemos respeitar seu poder de justiça quando agimos mal.

Se você analisar superficialmente, pode pensar que esta verdade bíblica não deve ser aplicada. Como poderia um cristão, vivendo no Oriente Médio, submeter-se aos duros governos islâmicos? Ou como exercer cidadania debaixo das idólatras leis asiáticas? Estranho, não? No mínimo, inquietante. Lembra-se da história quando os três amigos de Daniel desobedeceram à lei e não adoraram a estátua de Nabucodonosor? Os três desobedeceram a uma lei política da Babilônia e pagaram o preço sendo lançados na fornalha. Justíssimo aos olhos babilônicos. Mas, por não desobedecerem à lei moral do Senhor (que abomina a idolatria) foram salvos e livrados milagrosamente da morte, proclamando o poder do Deus verdadeiro. Aí está uma distinção. Estamos livres para desobedecer à esfera política quando esta vai contra a lei moral de Deus, mesmo que custe nossa vida. Lembre-se que o nosso Deus soberano esta no controle de todas as esferas e "não há uma só esfera de nossa vida que Jesus Cristo não diga: é minha!" (A. Kuyper).

Outra história. Lembra-se quando o povo era governado pelos Reis de Israel? (leia os livros dos Reis). Quando um rei fazia “o que era mal perante o Senhor” todo o povo caía em pecado e sofria terrivelmente por anos e gerações. Porém, quando o próximo rei "fazia o que era reto" e agradável aos olhos do Senhor, o povo era motivado a derrubar os postes-ídolo voltando o coração à Deus. Anos de paz e prosperidade eram a conseqüência. E olha que naquela época, o povo escolhido estava debaixo da lei política, moral e cerimonial entregue diretamente pelo Senhor.

Mas o que isto tem a ver com a nossa vida política hoje? E pior, nem somos de Israel, mas brasileiros! Já sabemos o primeiro ponto: devemos obedecer às autoridades quando estão de acordo com a lei moral de Deus.

No entanto, quero mostrar-lhe uma coisa que talvez você nunca tenha dado valor. Graças ao nosso bom Deus, hoje vivemos numa república democrática! Não temos mais que viver sob reinados insanos, ditaduras severas ou autoritarismos cegos, mas podemos eleger nossos governantes dentro do próprio povo! E isso não é bom!? Agora pense, seria ótimo se nosso governo fizesse “o que é bom perante o Senhor”, concordando sua lei política à lei moral e conduzindo o povo num caminho mais correto. O Senhor nos deu a benção da democracia junto com os princípios cristãos para uma vida em sociedade. Parece óbvio! Se quisermos viver numa lei política mais próxima à lei moral, devemos eleger governantes que vivam os princípios cristãos! Dá até pra imaginar Deus nos cobrando: “Cristãos do Brasil, eu vos abençoei com a democracia, por que os servos com meus princípios ainda não estão no governo?”.

Pois é, hoje penso que muitos cristãos têm medo de política. Há quem pense: “Crente nem deve se aproximar destas coisas. Isto é terreno sujo, corrupto, vai acabar se perdendo!”. Mas entendo que não devemos ter receio de política, mas sim dos maus políticos! Estes não podem ficar onde estão. Ou você acha que eles estão agradando a Deus liderando o povo para o pecado!? Se não fazem o que presta, e nós temos a responsabilidade por elegê-los, vamos escolher quem presta! Simples assim. Vamos usar a democracia, é bênção do Senhor na esfera política para nosso povo.

Daí você pergunta: “Então devemos sair elegendo todo mundo que se diz crente?” E eu respondo: “Você pode diferenciar o joio do trigo?” Como fazer então para eleger um cristão autêntico? Ai se alguém soubesse... Somente o Senhor conhece o coração! A única coisa que podemos avaliar são as evidências: um cristão verdadeiro teme a Deus, e resplandece uma vida cheia do Fruto do Espírito! Leia Gl 5.19-25. Acho sim, que devemos eleger cristãos autênticos, guiados pelas evidências do Fruto do Espírito, participando da bênção da política brasileira para abençoar nosso povo e engrandecer nosso Pai.

Por tudo isso, entendo que nossa pacata e acomodada posição fica perturbada por estas verdades. Percebo que é papel do cristão estimular a vida política de seus irmãos vocacionados, zelar por seu trabalho, suportá-los nas horas de dificuldades, comemorar nos momentos de alegria. Devemos orar intercedendo a Deus para que não se corrompam na vida pública; não se envergonhem do Evangelho nem envergonhem o Evangelho que defendem; atuem com justiça para com toda a sociedade; honrem o nome de Deus e o façam bem conhecido e admirado e governem sempre com os princípios da lei divina. Também devemos orar para que seu mandato não seja insignificante, tornando-se mais um que entra e logo sai sem deixar saudades, mas que faça diferença com atitudes, propostas e ações; para que eles mesmos não sejam engrandecidos por vaidade; que o povo usufrua da bondade divina pelas boas obras de suas mãos; para que não representem os interesses de suas próprias denominações, mas sejam servos da sociedade e servos da Verdade. Enfim, para que “brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

Finalizando, eu quero usar a bênção da democracia para mudar os princípios que regem nosso país! Não quero ter que desobedecer a lei política por estar distante da lei moral. Quero irmãos vocacionados e dedicados influenciando nossas autoridades e quero o nome de Deus exaltado pelo bom trabalho deles. Cristão brasileiro, não menospreze esta bênção que é a democracia! Seja firme em atitudes agindo com cidadania e fé. Esta é a nossa responsabilidade cristã!

Obrigado por me acompanhar até o final do texto. Peço para que o Espírito Santo mostre esta mensagem ao seu coração. E que o seu fruto seja uma nova atitude frente a nossa sofrida situação política brasileira. Que o Senhor nos abençoe, para o bem do Brasil e para Sua glória.

__________________
Romanos 13.1-7
Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

2 comments:

Sheilocas said...

May God listen to our prayers... Miss you guys!

Anonymous said...

Olá, filhos queridos...
muito oportuna a mensagem... beijos
Mom